Chorava e mal podia conter as lágrimas com as mãos, sendo essas furadas. O negrinho de touquinha vermelha, sentia-se traído. Uma turma composta, entre outros, por universitários de cinema o perseguira. Em grupo, e estratégicamente, criavam as condições para que sua imagem fosse captada. Seria um feito. Quão grandioso! A humanidade nunca o havia visto assim, de maneira realista. Seria a prova. Que façanha! O negrinho seria reconhecido por todos. Cachimbo, touquinha (ou pêlo vermelho, segundo alguns criadores)... Tudo o que o compõe seria desvelado. Introduziriam sacis na mente de todos. À força de provas, que fosse...
Câmeras atentas. A procissão dos futuros cineastas era imponente. Adentraram o bambuzal, escolhido sob pesquisa com ajuda de geólogos e historiadores dos mais especializados. Garrafinhas de vidro, rolhas, bússula e outros pertences os acompanhavam. Sem mencionar um meteorologista para o caso de travessuras inesperadas.
Ignoraram o risco ao qual exporiam os sacis. Sua imagem, ao ser captada, assinala sua morte. Não se introduz saci, pura e simplesmente, em sociedade alguma. Cria-se. Não sob a força de câmeras, que têm poder destrutivo, mas sob a direção daqueles que operam instrumentos mais sofisticados e acessíveis.
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