O prédio em chamas e eu prestes a sair do banho.
Com o calor do chuveiro, dera a fumaça por vapor inocente.
Mas o ardente começara a dar cor às vidraças, que alaranjavam.
E eu saíra às pressas do box, sem desligar o chuveiro.
Intuitivamente queria salvar-me a pele.
Mas a roupa não tinha jeito. Havia de colocar!
Foi me dada uma chance, imagino agora. Não mais.
Que importava? Para sair do prédio havia de ter vestimentas. -Ha-via!
Coloquei-as rapidamente, ainda que do avesso.
Mas terminei por arder em chamas!
Pudor pediram-me desde que nasci.
Ela faz isso com a gente. Diz liberdade, mas rindo amarelo.
E arrebata-nos pelos rabos de cabelo, bem firme.
Sussurrando em nossos ouvidos quem somos e o quê devemos ser.
Em respeito a essa mãe, envaidecidos de nossa criação, damos a vida por esses sussuros. Sejam quais forem, seja lá o que significarem.
Por fora ou por dentro, morremos por eles.
E não me diga que eu estou errada.
Porque você é a sociedade
e o sussuro seu criador.
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