quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Mensagem

A mensagem era curta, mas havia sido mandada num rolo enorme, devido à sua tradução em todas as línguas. E todas aqui não é exagero. Até os dialetos mais desconhecidos haviam sido contemplados. Era um recado do excelentíssimo, que nos responderia a pergunta inquieta: de onde viemos?
A origem. Era isso. O rolo havia sido mandado como um presente Dele. Estava ali a resposta. A resposta da origem pura e simplesmente origem. Não da origem de humanos, anfíbios ou galáxias. A origem mesmo, que não especifica objeto porque tem tudo o quanto existe - seres, coisas, palavras - como objeto.
Ali estava a resposta que seria ouvida por todas as nações simultaneamente. Em tempo real, seria transmitida por todos os canais de televisão. Mas antes que se desenrolasse o rolo... vinha a seguinte questão: - Qual país leria o rolo primeiramente, para que as traduções simultaneas fossem efetuadas sobre uma língua específica? Uma das etinias africanas lutava por esse direito, pois seu dialeto era o primeiro que constava no rolo. Talvez porque fosse correspondende à localidade de ''origem'' do homem primitivo. Não sei... Mas os italianos se gabavam de terem presença histórica. Afinal, fora o latim uma das línguas responsável pela imanência de diversas outras.
Os chineses também reivindicavam seus direitos, porque o mandarim era a língua mais falada no mundo! Mas e o Inglês? Tão difuso, tão imprescindível... Tão dominante!
Passaram alguns anos, o rolo já amarelado, a decisão viera: o Inglês seria a língua contemplada, sob o consenso (não consentido) de que isso facilitaria as traduções. E só não levara mais tempo, porque a sede da ciência era grande.
Ok. Esse impasse estava resolvido.
Vieram, no entanto, muitos outros. Mas muitos, muitos mesmo. (Não os descreverei todos. Um exemplo basta para decodificarmos o caráter dos demais). E quando os impasses tiveram fim, não havia interesse algum pela resposta. A origem? Qual a preciosidade dessa pergunta? Desejavam entender o motivo da origem, nada mais. Desejavam entender o porquê da existência de tudo, deles próprios.

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