Mais um dia longo.
Deitava.
A noite era o descanso do corpo.
O que não sabia, até então, era que a noite fugia do aparente.
A cabeça no travesseiro era real, porém não mais que os pés em Mortajo, planeta da galáxia X.
E isso não consiste numa metáfora que simboliza o quão duvidoso é o real. Não havia metáfora alguma. Apenas duas realidades possíveis: a cabeça no travesseiro e os pés em Mortajo. O sono era como uma cápsula invisível. E os homens tolos nunca a haviam visto. Precisaram recriar outras cápsulas ou máquinas do tempo, em histórias ou filmes, que possuissem funções semelhantes. O visual os impedia de enxergar as realidades paralelas.
Os pés do menino que dormia estavam de fato na galáxia X. O vácuo não o fazia mal, era mais puro que o ar. Absurdamente mais puro. Não havia molécula ausente que fizesse falta. Caminhava sobre o solo felpudo. Mortajo era um grande carpete. Um carpete vinho extenso, infinito e real. Estava lá, descobrira que estava. Que os sonhos sempre são. São mesmo, com toda força. Não os subestimou mais. Não desejava mais viver tudo no mundo consciente. Relegava algumas coisas à outra realidade.
Isso o fazia bem...
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