Um, dois, três passos. A vista voltada pro chão, acompanhando cada um deles.
Não sabia qual o motivo maior - a dificuldade ou constrangimento - que o fazia não olhar pra outra direção.
Mais fácil era olhar pra baixo e ver seu sapato marrom bem lustrado.
Sua imagem preferida era a dos pés. Com sapatos, é claro.
Qualquer outra imagem, sobretudo a dos outros, apontava para sua nudez: pés descalços e corcunda.
E entendia dos próprios sapatos como ninguém e de ninguém como os próprios sapatos.
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